A GEOGRAFIA DA DECISÃO
A riqueza continua territorial. O poder de organizá-la tornou-se regulatório O território continua no mesmo lugar. O poder de definir seu valor econômico, não. A geografia da decisão já não coincide com a geografia da operação. Talvez essa seja uma das transformações institucionais menos percebidas da política energética brasileira. Durante décadas, o debate sobre royalties concentrou-se na distribuição da riqueza : quem recebe, quanto recebe e por quê. A questão decisiva, porém, é precedente. Antes que qualquer compensação financeira seja calculada, o Estado já definiu onde produzir, por onde transportar, quais infraestruturas serão estratégicas e como toda essa cadeia será juridicamente reconhecida. Quando o royalty ingressa no caixa municipal, a decisão mais importante já foi tomada . Essa constatação altera o objeto da análise. A arquitetura institucional que ainda organiza parcela significativa das participações governamentais foi concebida para um Brasil anterior ao pré-sal...