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ALÉM DA CIDADE QUE SE VÊ

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Antes da metade do mandato, Reinaldinho coloca à prova uma concepção de governo: transformar decisões políticas e capacidade de gestão em melhores condições de vida Estar em São Sebastião é conviver com uma paisagem de cinema. Morar aqui, porém, precisa significar mais do que desfrutar de sua beleza. É pertencer a uma cidade onde oportunidades, serviços públicos e condições dignas de vida não sejam privilégios da geografia, mas direitos de quem constrói sua história neste território. Antes mesmo da metade do mandato, Reinaldinho Moreira enfrenta uma equação que ultrapassa a administração das urgências : reorganizar as finanças sem perder de vista as pessoas e, ao mesmo tempo, tomar decisões sobre a cidade que se pretende construir. É uma escolha política. Os números dão dimensão à mudança. Conforme os demonstrativos publicados no Portal da Transparência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo , São Sebastião passou de uma diferença negativa de aproximadamente R$ 611 milhões e...

O QUE AINDA NÃO ESTÁ DADO

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Entre a visibilidade digital e a nova geografia econômica, o futuro do Litoral Norte exige mais que números e investimentos anunciados Há duas maneiras de interpretar o futuro de um território: observar aquilo que desperta interesse e examinar aquilo que efetivamente reúne condições para acontecer. Nem sempre as duas perspectivas coincidem. No Litoral Norte de São Paulo, a distância entre a imagem que atrai visitantes e as possibilidades de transformação econômica torna essa diferença especialmente reveladora. O que o Brasil procura quando pesquisa São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba e Ilhabela? Praias, hospedagem, gastronomia e experiências de viagem integram o universo de interesses associado a uma região cuja identidade turística atravessou gerações. Publicações como Tendências do Turismo 2026 , produzida no âmbito do Ministério do Turismo, da Embratur e da Braztoa , e estudos históricos baseados no Google Trends oferecem referências desse comportamento, embora com recortes e m...

ANGRA, ALÉM DA BIRUTA

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Novos voos, oportunidades de mercado e integração territorial apontam diferentes direções para o desenvolvimento econômico Poucas cidades fluminenses reúnem, num mesmo território, turismo de alto valor agregado, indústria naval, instalações energéticas de importância nacional e uma expressiva economia náutica e portuária. Angra dos Reis concentra esses ativos, mas sua proximidade geográfica não assegura integração econômica. Transformá-los em vantagem competitiva exige conectar mercados, infraestrutura e serviços, reduzindo custos, tempos de deslocamento e incertezas. É sob essa perspectiva que interpreto o  anúncio   da Azul Conecta , em 22 de outubro, de novas ligações sazonais com São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mais que uma novidade turística, vejo nele diferentes ventos soprando sobre a economia angrense. A questão é saber como aproveitar sua força para produzir resultados que sobrevivam à temporada. O primeiro sinal vem do próprio mercado, mas tem um antecede...

CARTOGRAFIA DO GÁS

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As novas rotas do mercado redesenham o lugar de Caraguatatuba na economia da Bacia de Santos Poucas cidades dispõem da oportunidade de abrigar uma infraestrutura diretamente ligada a um setor vital para o país. Caraguatatuba tornou-se o nó terrestre da Rota 1 e recebeu a Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato, a UTGCA , conectando seu território à produção do Pré-Sal da Bacia de Santos. A planta não pertence ao Município, que tampouco controla os gasodutos ou decide o destino comercial das moléculas. Ainda assim, sua instalação alterou a precificação econômica e institucional da cidade. Caraguatatuba deixou de ocupar apenas o mapa do turismo, dos serviços e da construção civil. Passou a integrar a infraestrutura da segurança energética nacional , com efeitos sobre expectativas de investimento, empregos especializados, fornecedores, arrecadação e capacidade de interlocução com a União, o Governo do Estado e a Petrobras. A UTGCA agregou valor geopolítico ao território . O problema...

ALÉM DO HOTEL

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Uma controvérsia ambiental, muitos documentos e as responsabilidades que ultrapassam uma manchete artigo Entre Juquehy e Barra do Una, na Costa Sul de São Sebastião, um empreendimento hoteleiro ainda em implantação já hospeda controvérsias que ultrapassam os limites de sua propriedade.  Questionamentos ambientais, dúvidas sobre a estabilidade da encosta e divergências administrativas passaram a integrar a exposição pública de um negócio que sequer abriu suas portas. Seus possíveis reflexos sobre a confiança de futuros hóspedes e a reputação comercial não podem ser confundidos com prejuízos comprovados, mas representam uma espécie de reserva antecipada de incertezas, cujos efeitos poderão ultrapassar o próprio desfecho da controvérsia. A imprensa não pode - nem deve - abdicar de investigar riscos, acompanhar a fiscalização e revelar irregularidades . Cabe-lhe, igualmente, distinguir suspeitas de constatações, decisões provisórias de conclusões definitivas e acompanhar a evolução dos...

AVALIAÇÃO SISTÊMICA

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Sinais fiscais, econômicos e jurídicos para compreender os desafios de Caraguatatuba em 2027 A avaliação sistêmica de uma administração pública não se resume ao exame individual de secretarias ou à percepção de seus gestores . Consiste em relacionar desempenho econômico, arrecadação, obrigações financeiras, segurança jurídica e resultados das políticas públicas. Em Caraguatatuba, os documentos oficiais de 2026 permitem esse exercício enquanto as contas permanecem abertas. Mais do que antecipar conclusões sobre o exercício, importa identificar riscos que ainda podem ser administrados. O Decreto Municipal nº 2.539 , de 17 de junho, fornece o primeiro diagnóstico. No quadrimestre inicial, a arrecadação de royalties ficou aproximadamente R$ 22,65 milhões abaixo da programação; a cota-parte do ICMS, R$ 21,99 milhões. Foram R$ 44,63 milhões de frustração nessas duas fontes. Entretanto, impostos e taxas superaram as estimativas, enquanto as receitas correntes, em conjunto, atingiram 93,40%...