A SOBERANIA DO FATO PÚBLICO
Em um ambiente governado por algoritmos, inteligência artificial e versões apressadas da realidade, o Estado pode terceirizar a circulação de suas mensagens — jamais a responsabilidade pela verdade que publica Um estudo divulgado em junho deste ano, 2026 pela Social Market Foundation analisou mais de 125 mil publicações em redes sociais e encontrou um dado inquietante: a desinformação apareceu quase três vezes mais em comunidades com pouca cobertura jornalística local. Uma em cada cinco mensagens falsas examinadas tratava de assuntos próximos da vida cotidiana - serviços públicos, transporte, planejamento urbano e política municipal. Realizada no Reino Unido, a pesquisa não pode ser mecanicamente transportada para a realidade brasileira. O mecanismo que ela revela, porém, é bastante reconhecível: quando faltam informação pública acessível, jornalismo local consistente e referências confiáveis, o vazio não permanece vazio. É rapidamente ocupado pela especulação, pela interpretação...