CIDADES DE CONCRETO QUE SE AFOGAM NAS CHUVAS
A bitola da estrutura das obras de engenharia civil não resistem aos milímetros das águas das nuvens
No Litoral Norte de SP o m² valoriza, os empreendimentos sobem, as campanhas encantam. A orla marítima da RM-Vale tornou-se vitrine de prosperidade. Dados de órgãos como o IBGE e o Ministério do Turismo confirmam o aquecimento do setor turístico e imobiliário.
São Sebastião recebeu reconhecimento nacional recente na área do turismo. Ilhabela segue como destino consolidado. Ubatuba e Caraguatatuba expandem sua verticalização e adensamento populacional.
Os números celebram. A água expõe.
Entre dezembro e fevereiro, o Sudeste enfrenta seu período mais chuvoso. Não é novidade técnica, é dado climático consolidado. A atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul intensifica precipitações prolongadas, dizem os meteorologistas. O que deveria ser variável prevista tornou-se tragédia recorrente. As imagens se repetem: ruas alagadas, encostas instáveis, bairros isolados, famílias desalojadas.
Isso não é fatalidade. É consequência.
Mais concreto armado, significa menos solo permeável. Mais ocupação irregular, significa mais gente em áreas de risco. A supressão de mata ciliar compromete a drenagem natural. A expansão urbana, quando descolada de infraestrutura compatível, transforma chuva em desastre. O que falha não é a nuvem, e sim o planejamento.
O crescimento imobiliário impõe custos estruturais objetivos: mais demanda por drenagem e macrodrenagem; mais pressão sobre encostas; mais produção de resíduos; mais consumo de água e energia elétrica; mais veículos e impermeabilização viária; mais necessidade de contenção e fiscalização.
Sem investimento proporcional, o sistema colapsa.
Há ainda o passivo silencioso: parcelamentos clandestinos, ocupações juridicamente frágeis, periferização em áreas ambientalmente sensíveis. Regularizar, fiscalizar, conter e, quando necessário, demolir, não são medidas populares, mas são indispensáveis. Gestão urbana não se faz apenas com aprovação de projetos; faz-se com controle, orçamento robusto e prioridade política.
As cidades gostam de se definir como resilientes e inteligentes. Mas resiliência não é discurso institucional nem peça publicitária. Resiliência custa caro: exige plano diretor respeitado, obras estruturantes de drenagem, monitoramento geotécnico, política habitacional séria e capacidade técnica permanente.
Enquanto o marketing projeta a vista para o mar, a realidade escorre pelos bueiros insuficientes.
O desafio imposto aos gestores municipais é direto: alinhar crescimento econômico com engenharia preventiva. Mitigar riscos, rever ocupações, ampliar infraestrutura antes que o próximo ciclo de chuvas transforme prosperidade em calamidade. Porque a verdade é simples e dura: não é a chuva que aumentou na mesma proporção do desastre. Foi o concreto que avançou mais rápido que a responsabilidade.
Os desafios herdados estão sendo enfrentados em São Sebastião pelo Prefeito Reinaldinho Moreira. E assim espero que esteja ocorrendo com as demais cidades da região também.
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Obs) Arte meramente ilustrativa, gerada por IA

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