À POLÍTICA O QUE É DA GESTÃO

Uma entrevista sobre iluminação, obras e contratos deixou no ar uma pergunta que ultrapassa a administração municipal: por que São Sebastião voltou ao centro da disputa política?


Na manhã desta terça-feira (11), uma entrevista à rádio Morada Litoral FM começou falando de iluminação pública, mas terminou oferecendo uma fotografia bem mais ampla do momento vivido por São Sebastião.
O Prefeito Reinaldinho Moreira apresentou o novo programa de modernização da iluminação, que prevê a substituição das luminárias antigas por tecnologia LED e a expansão da rede para diferentes regiões do município. A modernização da iluminação pública, aliás, já aparece em iniciativas recentes divulgadas pela Prefeitura de São Sebastião.
Mas a conversa não parou nos postes.
Ao falar sobre obras recebidas pela atual Administração, o alcaide criticou valores, execução e qualidade de alguns contratos. Citou, entre os exemplos, uma ciclovia cujo custo, segundo afirmou durante a entrevista, alcançou aproximadamente R$ 50 milhões. Disse também que determinados serviços estão sendo refeitos pelas próprias empresas responsáveis, mediante acionamento das garantias contratuais, evitando que o município pague novamente por aquilo que deveria ter sido entregue adequadamente.
Há aí uma questão administrativa, mas também uma mensagem política: governar não é apenas inaugurar o novo; é decidir o que fazer com aquilo que se recebeu.
Reinaldinho apresentou ainda outro exemplo.
Ao tratar das intervenções previstas na região da Praça da Vela, no Porto Grande, relatou ter negociado contrapartida com uma empresa que necessitava utilizar área subterrânea municipal para passagem de cabeamento destinado a Ilhabela. A lógica exposta foi simples: se um ativo público gera valor para uma operação privada, o município deve buscar alguma forma legítima de retorno coletivo.
É nesse ponto que a entrevista deixa de ser apenas sobre gestão.
Porque revisão de contratos, cobrança de garantias, busca de contrapartidas e contenção de despesas produzem resultados internos, mas também constroem uma determinada imagem pública de governo. E imagem pública, quando ganha consistência, inevitavelmente se converte em capital político.
Daí surge uma pergunta mais interessante do que simplesmente saber quem apoia ou quem critica o Prefeito: o que exatamente está em disputa hoje em São Sebastião?
Talvez parte da resposta esteja fora dos limites administrativos do município.
Recentemente, Maresias recebeu um importante encontro político do Republicanos10, reunindo lideranças estaduais e nacionais e projetando São Sebastião para dentro das articulações que cercam a sucessão estadual. O Republicanos SP é o partido do Prefeito e permanece peça relevante na sustentação política do governador Tarcísio Gomes de Freitas em São Paulo.
Isso muda a escala do jogo.
Reinaldinho começou o mandato diante de um cenário fiscal difícil e adotou medidas de contenção, revisão contratual e reorganização administrativa. A recuperação financeira registrada posteriormente não elimina os problemas estruturais do Governo, mas altera objetivamente o ambiente em que a disputa política acontece.
E talvez seja exatamente aí que esteja o ponto.
Um Prefeito pode ser criticado por suas decisões, resultados e prioridades - e deve sê-lo. Isso faz parte da democracia. Mas quando a crítica deixa de discutir o ato administrativo e passa a mirar permanentemente o personagem político, vale observar também o movimento ao redor do tabuleiro.
Porque às vezes o ataque não demonstra nenhuma fragilidade de quem governa. Revela principalmente o tamanho que seus adversários acreditam que ele passou a ocupar.



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