PODER SEM PROPRIEDADE
A rejeição das contas de Felipe Augusto expôs menos um revés contábil do que uma concepção de poder incompatível com a autonomia das instituições Há derrotas que machucam. E há derrotas que revelam. A rejeição das contas do ex-prefeito Felipe Augusto pela Câmara de São Sebastião , por 12 votos a 0 , pertence à segunda categoria. O episódio começou como julgamento de contas e terminou como um teste público de liderança, temperamento e compreensão da democracia. Antes da votação, Felipe falava como quem contava não apenas com apoio político, mas com uma maioria sob tutela. Repetia ter elegido 10 dos 12 vereadores da atual legislatura e agia como se isso lhe garantisse mais do que influência : lhe garantisse obediência. Havia, inclusive, a convicção de que ao menos uma vereadora de primeiro mandato, em quem depositava especial confiança, votaria a seu favor. Não votou. Nenhum votou. Os 12 vereadores acompanharam o parecer técnico do Tribunal de Contas do Estado e rejeitaram as contas...